Produção Ciêntifica

Os trabalhos de investigação são divulgados por entre os pares na forma de artigos enviados para publicação em revistas internacionais com um sistema de Referee. O que isto quer dizer é que o trabalho original considerado pelos seus autores com qualidade e interesse colectivo é normalmente enviado para revistas da especialidade. Cabe aos autores dos trabalhos decidirem em que revista os desejam ser publicados. 

Alguns exemplos de revistas com prestígio no mesmo domínio são a Physics Letters B, Nuclear Physics B, Physics Review Letters e Physical Review, JHEP etc; cada uma com as suas especificidades, os seus constragimentos de espaço e quase todas gratuitas. Os trabalhos (papers) uma vez recebidos pela revista são mandados para um ou mais colegas (referees) escolhidos pelos editores da revista e com carácter confidencial para serem lidos e o seu interesse avaliado. Os referees fazem comentários e/ou sugestões de alteração sem que o seu nome seja revelado aos autores. Se o trabalho é recomendado para publicação pelos referees ele é então aceite pela revista.

As conferências e workshops (e também seminários organizados em instituições científicas) também são forums usados para divulgação dos trabalhos científicos. São frequentemente publicados Proceedings destes encontros que, ao contrário das revistas mencionadas atrás, não são sujeitas ao sistema de referee. É normal que os trabalhos que aparecem nos Proceedings tenham sido previamente publicados. 
Antes de ser publicado, o trabalho é normalmente divulgado na forma de "preprint". Note-se que a investigação científica envolve forte competição internacional e é do interesse dos autores divulgarem o seu trabalho o mais cedo possível mesmo antes de este ser aceite para publicação, uma vez que a questão de prioridade de um resultado importante tem grande significado.

Actualmente existem aqueles a que se chamam Archives e que se podem consultar indo a http://xxx.lanl.gov . Dentro da Fisíca existem várias opções, tais como por exemplo:

· Astrophysics ( astro-ph ) 

· High Energy Physics - Experiment ( hep-ex ) 

· High Energy Physics - Lattice ( hep-lat )

· High Energy Physics - Phenomenology ( hep-ph )

· High Energy Physics - Theory ( hep-th )

Os autores decidem a que arquivo pertence o seu trabalho e enviam-no electrónicamente para lá. Cada dia são postos à disposição da comunidade científica os novos trabalhos e podem então ser lidos por todos os que têm acesso à Internet. A Internet veio assim democratizar o acesso a estes trabalhos que deste modo se tornou quase universal. Antes os preprints eram distribuidos na forma de papel e dados os custos envolvidos ( papel e custos postais ) só as universidades e laboratórios mais importantes recebiam a maioria destes trabalhos.

Hoje em dia, com a Internet põe-se então a questão de saber porque razão continuamos a enviar os nossos papers para publicação uma vez que o sistema de arquivos existente lhes atribui um número da forma aammxyz onde aa é o ano (estamos em 04), mm o mês (de 01 a 12) e xyz o número de ordem de chegada. Isto só por si estabelece uma prioridade. A razão é que com o sistema de referee a qualidade do paper é ligitimada. De facto existem circunstâncias em que só papers aceites para publicação (em particular resultados experimentais ou de lattice ) são considerados aceitáveis. Isto tem a ver com a impossibilidade de cada um individualmente saber, sobretudo se não for do seu domínio de investigação específico, se um trabalho é considerado credível ou não. Num trabalho teórico utilizam-se (i.e., citam-se) muitas vezes resultados cuja qualidade os autores por si só não teriam a capacidade de avaliar.

O impacto científico de um trabalho é medido pelo número de vezes que tal trabalho é citado. No mesmo domínio existe uma base de dados em SPIRES (ver http://www.slac.stanford.edu/spires/hep/ e escolher em Format "Citations" ou "Citation Summary"). Esta base de dados é de acesso gratuito ao contrário do Citation Index e tem critérios ligeiramente diferentes das deste. O SPIRES é largamente consultado pela comunidade científica do domínio da Física de Partículas. O SPIRES não elimina as autocitações da sua contagem ( i.e., citações a um paper feitas por alguns dos seus autores), contudo é possível saber em SPIRES quem cita cada trabalho, e portanto esta separação pode ser feita fácilmente. Se é verdade que um paper muito citado pode em alguns casos muito excepcionais não ter a qualidade que tal facto sugere o que é indubitável é que um paper que não é citado pelos seus pares foi até então um paper irrevelante. O próprio SPIRES avisa os seus utilizadores dos perigos de interpretação, mas é considerado uma base de grande utilidade prática e muito respeitada pela comunidade ciêntifica.

Sobre a investigação que se faz no CFTP